
Para saber como escolher um bom vinho não tem nada a ver com certezas matemáticas, e sim, com gosto pessoal, circunstâncias e algumas dicas – que, em geral, costumam ajudar bastante. Sendo assim, sempre que eu vou escolher um vinho tento seguir mentalmente uma espécie de “roteirinho” bem básico para acertar na escolha.
Roteiro: como escolher um bom vinho?
Quando e onde o tal vinho será servido? Você vai abrir esse vinho num jantar romântico, formal, num jantar de trabalho ou na casa de alguém, para acompanhar a refeição? Caso positivo, descubra qual prato será servido e tente escolher um vinho que combine com a comida. Harmonizar vinho e comida também não é ciência exata, mas existem umas regrinhas que ajudam bastante. Agora, se o objetivo for abrir o vinho em casa, despretensiosamente, com os amigos, aposte no gosto pessoal (seu e dos seus amigos) para saber como escolher um bom vinho. Do que você gosta? Do que eles gostam? Se quiser agradar, pergunte, peça opinião.
Como sempre, aqui cabe também o bom senso. Se você vai comprar um vinho para levar para a praia, as melhores opções são um rosé, um branco ou um espumante, que são mais leves e refrescantes do que um tinto. Trata-se de um churrasco? Via de regra (mas não em 100% dos casos), um tinto vai melhor com esse tipo de comida.
Você vai dar um vinho de presente para alguém?
Se o objetivo não é levar o vinho para um jantar ou se não é você quem vai tomá-lo, mas presentear alguém, o melhor é descobrir do que essa pessoa gosta. Pergunte para quem conhece a pessoa ou tente se lembrar se você já a viu bebendo vinho alguma vez. A pessoa é mais “tradicional”, “formal”? Se a resposta for positiva, aposte nos rótulos mais tradicionais, em vinhos de uvas e cortes mais típicos de cada região. Por exemplo: se for comprar um vinho chileno, aposte num Cabernet Sauvignon; se quiser um argentino, vá de Malbec. Indo nesse caminho você tem menos chances de errar – mas também dificilmente vai surpreender.
Agora, se o presenteado for mais, digamos, descolado, e se você quiser surpreender, por que não apostar em algo diferente? Um branco, um rosé, um vinho doce de sobremesa: só de sair do tinto você já vai surpreender pelo menos um pouco, pode acreditar. Outra coisa importante: por que você está presenteando essa pessoa? É para comemorar algo específico? Aniversário? Natal? Agradecimento a uma ajuda ou favor prestado? Tente relacionar o vinho ao motivo do presente. Exemplo: quer presentear alguém que foi promovido no trabalho, vá de espumante.
Aliás, falando em espumante, quer algo curinga? Espumante brut. Espumante é símbolo de comemoração, conquista, festa. É”glamouroso”. E harmoniza com muita coisa — para você ter uma ideia, um espumante brut harmoniza até com feijoada (eu já testei algumas vezes), principalmente se for brut rosé. Ah, e existem excelentes espumantes brasileiros com ótimo custo-benefício. Veja alguns aqui nesse post sobre espumantes brasileiros.
Quanto eu posso/quero gastar?
O preço do vinho é fator essencial para a escolha. O orçamento/budget é fundamental para qualquer planejamento, até mesmo em algo simples como comprar um vinho. Lembre-se de que no Brasil há muitos impostos sobre os vinhos importados, portanto, desconfie de produtos muito baratos. Mas isso não significa necessariamente que você tenha que gastar muito dinheiro para beber algo bom.
Onde vou comprar?
Esse é um passo muito importante, e que só pode ser definido depois dos passos acima. Vai servir o vinho numa ocasião formal, como um jantar de trabalho, ou presentear aquela pessoa com gostos mais tradicionais? Minha sugestão é procurar uma boa importadora ou loja de bebidas (aquela na qual você sabe que terá vinhos compatíveis com o seu orçamento). Vai beber com os amigos ou no domingo à noite, comendo pipoca? Dê um pulo no supermercado, você pode se surpreender (positivamente).
Regiões vinícolas
Para mim, esse é o pulo do gato para escolher um vinho, digamos, decente. Como sempre, há exceções para todas as regras e vale a pena sair do planejado às vezes, sim. Mas as pessoas que acertam na escolha do vinho quase sempre prestam atenção à origem do produto. Resumidamente: para que uma plantação de uvas viníferas dê certo, é preciso um clima com características favoráveis, certa quantidade de luz do dia, calor e água. O clima ideal para plantar uvas viníferas (que são específicas para fazer vinho e não são para comer) é o temperado.
Existem outros fatores mais técnicos que também são muito importantes para um vinho de qualidade, como produtores e safras (ano em que as uvas que compõem aquele vinho foram colhidas). Mas exigem um pouco mais de conhecimento, deixam a escolha mais complexa (e mais chata também, para ser sincera), e o meu objetivo aqui é facilitar, e não dificultar. Esse roteirinho que coloquei acima já vai te ajudar bastante a escolher um vinho que te deixe feliz sem complicar a sua vida.
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